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Missiva dirigida a todos os clubes de Tiro com Arco
Membros

Lisboa, 14 de Abril de 2009



Ex.mos Senhores



Assunto: Não autorização de participação de um atleta no Campeonato do Mundo de Jovens de Tiro com Arco 2009.



Somos os pais do atleta Filipe Pires da Silva, de 17 anos, inscrito com o n 3502 na Federação Portuguesa de Tiro com Arco (FPTA). Pretendemos com esta missiva, expor uma situação decorrente da decisão federativa de impedir uma participação nacional no Campeonato Mundial de Jovens de Tiro com Arco a ter lugar em Julho de 2009. Esta decisão contraria, em nosso entender, os próprios princípios e compromissos da Federação, e desprovida de qualquer racional válido, prejudica significativamente o desenvolvimento da carreira desportiva do nosso filho, prejudica indirectamente o desenvolvimento da modalidade olímpica já por si cheia de dificuldades e em último caso prejudica o próprio desporto Nacional.



Antecedentes


O atleta Filipe Pires da Silva começou a praticar a modalidade em Setembro de 2006, e revelou desde logo naturais aptidões para a prática da modalidade, tendo-se sagrado campeão nacional no escalão de Cadetes em Julho 2007. Em Junho do mesmo ano participou no Campeonato Europeu do mesmo escalão, em que, apesar de ter ficado no último quarto da tabela classificativa, bateu por larga margem a sua melhor marca pessoal tendo sido o melhor dos atletas lusos da sua categoria.


Em 2008, durante o Segundo ano de prática da modalidade e primeiro como Júnior, continuou a sua progressão técnica tendo sido Vice-campeão Nacional do Escalão. Para obter esta melhoria técnica o Filipe realizou um enorme esforço pois deslocava-se quase diariamente, carregado com todo o material e em transportes públicos ao complexo do Jamor, com viagens de duas horas, para treinar com o Sr. Myoung Yong Lee, contratado para o treinador nacional pela FPTA desde Janeiro de 2008.


Em Outubro de 2008, a Federação decidiu participar no Campeonato Mundial de Jovens na Turquia. Tal participação apenas foi possível, aliás á semelhança do que tem acontecido na grande maioria das participações internacionais da modalidade, com a comparticipação nas despesas por parte dos atletas e que neste caso específico foi de 1.500 .


Nessa altura as marcas do Filipe, apesar de todos os progressos obtidos, ainda se encontravam no último a nível mundial. Apesar disso o Filipe obteve um honroso 15 lugar entre 82 participantes que, de acordo com os dados a que nos foi possível aceder, foi a melhor marca de sempre de um atleta Português da modalidade num campeonato de nível continental e mundial.


É ainda de realçar que, em Julho de 2008, o Filipe decidiu apostar ainda mais na modalidade, mostrando vontade de, para poder aumentar o número de horas de treino diário, candidatar-se a residir no Centro de Alto Rendimento. Apesar das parcas garantias e condições dadas pela Federação em termos da existência de treinador e locais de treino, decidimos apoiar mais uma vez o Filipe nesta sua vontade de melhorar as suas performances. O então presidente da Federação (Sr. Carlos Freitas) pareceu desde logo apoiar esta iniciativa tendo inclusivamente anunciado a existência do Centro de Alto Rendimento de tiro com arco durante o discurso de encerramento da cerimónia de entrega de prémios da final four do Campeonato Nacional, poucos minutos depois de eu lhe ter manifestado a vontade do Filipe e o nosso apoio. Apesar desse apoio explícito, as acções da Federação para formalizar a candidatura apenas tiveram lugar devido á insistência dos pais, demonstrando a FPTA uma total incapacidade administrativa de accionar e seguir o processo.


Dada a escassez de recursos financeiros, os pais do Filipe ofereceram-se para suportar os encargos relativos à sua estadia no CAR que coubessem à Federação.


Na sequência dos resultados obtidos no Campeonato do Mundo, foi solicitado ao IDP a inscrição do Filipe com o estatuto de Atleta em percurso de Alta competição, o que foi concedido.


Tanto no processo de candidatura ao CAR como no relativo ao Estatuto de Alta Competição, encontra-se prevista a participação do Filipe no Campeonato do Mundo de Jovens a realizar de 10 a 19 de Julho nos EUA. De realçar que os pais vinham desde o início do ano a alertar a Federação para a necessidade de estabelecer a forma como esta participação poderia vir a acontecer, disponibilizando-se desde sempre a comparticipar nas despesas inerentes do atleta no caso de a Federação não ter recursos suficientes. Durante todos estes contactos, nunca o Sr. Presidente da FPTA manifestou qualquer intenção de alterar o compromisso de participação no Campeonato do Mundo de Jovens de 2009, que inclusivamente constava do calendário das provas para 2009, divulgado pela FPTA em 6 de Janeiro do corrente ano, e mesmo após a difusão do comunicado n2 em 26 de Março, confirmou durante uma conversa tida ao telefone, que a participação na competição continuava na agenda da Federação.



Situação actual


Em termos desportivos o Filipe tem cumprido integralmente o plano de treino definido pela Federação e pelo treinador nacional Sr. Lee, continuando a evoluir, encontrando-se presentemente a fazer marcas muito próximas dos melhores atletas seniores nacionais, como é demonstrado pela sua participação nas duas primeiras provas do campeonato Nacional de Campo, em que obteve a melhor marca absoluta na primeira prova e a segunda melhor marca absoluta no decorrer da segunda prova. No seu escalão em termos mundiais, pela nossa análise, as suas marcas tem-se aproximado da primeira metade do ranking mundial.


Dado o atrás referido, os resultados obtidos em 2008 e o progresso entretanto consolidado, pareceria lógico, expectável e desejável, até porque a FPTA assim se tinha comprometido nos processos de candidatura ao CAR e Estatuto de Alta Competição, que a Federação patrocinasse a participação do Filipe no Campeonato do Mundo de Jovens de 2009.


Depois de adiamentos de decisão sem fim, em que nada de contrário à expectativa criada de uma possível participação foi referido, apenas em 1 de Abril de 2009, quando confrontado com as datas limites de inscrição no evento, o actual presidente da Federação Comandante Fernando Prieto, referiu que a aposta da Federação para o ano 2009 seria exclusivamente no Campeonato do Mundo de Seniores, não estando prevista a participação no Campeonato de Jovens.


Sem questionar as prioridades da Federação, reafirmamos a disponibilidade dos Pais de, numa solução de recurso, patrocinarem a participação do Filipe no Campeonato de Jovens, sendo o atleta acompanhado pelos pais, garantindo todo o apoio administrativo ao atleta, a custo zero para a Federação.


O Sr. Presidente da Federação alegou que não poderia permitir que tal acontecesse dado que por uma questão de princípio não é permitida a participação de atletas sem serem acompanhados por um técnico/dirigente da Federação, que não podia disponibilizar o técnico nacional e que para além disso abriria um precedente gravíssimo para o futuro.


A razão para não poder disponibilizar o treinador nacional para acompanhar o atleta ou atletas no Campeonato do Mundo de Jovens foi que, não sendo o Filipe o único atleta da Federação, o treinador nacional era necessário em Portugal para treinar os outros atletas lusos. Embora sendo um argumento verdadeiro, julgamo-lo inválido pois, caso contrário, o treinador nacional apenas se poderia deslocar ao estrangeiro quando e se todos os atletas nacionais/selecções o fizessem simultaneamente, ou seja nunca.


O não poder disponibilizar o técnico nacional apenas deixa em aberto o acompanhamento por parte de dirigentes, o que nos causa apreensão face aos factos ocorridos aquando do campeonato do mundo de jovens do ano transacto, que relatamos em anexo, e que nos levaram a concluir que a honrosa classificação do Filipe foi obtida apesar das atitudes e acções dos elementos da FPTA e não devido a elas.


Quanto ao abrir um precedente para o futuro, com os pais de atletas a subsidiarem na totalidade a participação do atleta no campeonato, parece um argumento totalmente inadmissível dado que, sendo uma prática corrente da Federação no passado, também o continua a ser no futuro como o demonstra o comunicado n 2 já anteriormente citado, relativo à participação no Campeonato de Seniores do corrente ano a realizar na Coreia do Sul onde é pedida aos atletas uma taxa de inscrição que pode ir até aos 3.000 Euros.


Embora concordando que a presença do actual treinador do Filipe e da Selecção Nacional Mr. Lee seria desejável, estranhamos a imprescindibilidade de tal acontecer, dado não existir nenhum regulamento interno ou internacional que obrigue a tal, dado também que no campeonato de jovens de 2008 os atletas não foram acompanhados do treinador e ainda porque já houve casos recentes em que atletas representaram o seu País sem qualquer apoio da respectiva Federação.


Embora a ida do atleta ao Campeonato do Mundo de Jovens de 2009 sem acompanhamento do treinador esteja longe de ser uma solução óptima parece, à luz da razão, aceitável, sobretudo quando a alternativa é a não participação num evento em que o atleta por razões de idade nunca mais vai poder participar na sua vida desportiva, perdendo também a possibilidade de tentar confirmar a boa classificação obtida no campeonato do ano transacto.


Evidentemente não somos partidários que qualquer atleta seja autorizado a representar o nosso País independentemente das marcas obtidas, apenas porque arranjou um patrocínio (sejam os pais ou uma entidade pública ou privada), mas julgo sinceramente que perante os resultados obtidos e nas palavras da própria Federação, esse não é o caso do Filipe.



Dado o atrás referido, considerando que a Federação está a ter uma atitude irracional, redutora em termos de proporcionar uma experiência internacional única a um atleta promissor, e contrária aos interesses desportivos da modalidade e do desporto nacional, e tendo esgotado todas as possibilidades ao nosso dispor, vimos por este meio solicitar que, caso estejam de acordo façam os possíveis para que a FPTA reformule a sua posição, permitindo que o Filipe participe no Campeonato do Mundo de Jovens em Ogden Utah EUA de 10 a 19 de Julho de 2009. No caso mais que provável da Federação não ter recursos financeiros disponíveis para suportar tal participação, mais uma vez nos disponibilizamos para acompanhar o atleta e pagar a participação do mesmo, sem quaisquer custos para FPTA.



Desde já grato pela atenção prestada,
Aguardando uma rápida resposta e acção por parte de V.Exa.
Muito Respeitosamente



Nuno Augusto Teixeira Pires da SilvaMaria Manuel dos S M Pires da Silva



Nota:
Depois da conversa atrás mencionada de 01 de Abril, outros contactos quase diários se verificaram em que o Presidente da FPTA foi adiando uma resposta definitiva sobre o assunto, até 13 de Abril em que verbalmente deu uma resposta final negativa. A data limite de inscrição final na competição perante a FITA é de 22 de Junho de 2009.





Anexo

Factos ocorridos no Campeonato do Mundo de Jovens de 2008


Desde que soubemos da intenção da Federação em participar no campeonato de 2008, e estando nós como pais do atleta, dispostos a apoiar o Filipe em todas as circunstâncias, informámos de imediato a FPTA de que pretendíamos deslocarmo-nos ao local de realização do campeonato manifestando a nossa disponibilidade em ajudar no que fosse possível.


A Federação que não teve meios para pagar a deslocação dos dois atletas, fez questão de ignorar a nossa disponibilidade para apoiar (nos aspectos administrativos), fazendo deslocar dois elementos na comitiva (tantos quantos os atletas), a saber: o recém-eleito presidente Comandante Fernando Prieto Alves e o ex-presidente que tinha cessado funções poucos dias antes Sr. Carlos Freitas. O racional para tal comitiva era a incapacidade do Comandante Fernando Prieto para controlar os dois jovens atletas, e a experiência e conhecimentos técnicos e administrativos do Sr. Carlos Freitas. Nenhum destes dois elementos desempenha ou desempenhou funções de treinador do Filipe.


Desde o primeiro momento, mesmo durante a viagem, foi notória a falta de sensibilidade para lidar com jovens menores (na passagem da fronteira por exemplo), o desconhecimento relativo a informações básicas sobre o desenrolar do evento que tinham sido divulgadas através da internet (número de países e atletas, calendário das provas, etc.) e até, durante o primeiro dia de treinos, algum desinteresse pelos atletas (os atletas foram deixados sozinhos sem qualquer informação e apoio para proceder às inscrições e treinos).


A falta de interesse/desconhecimento no desenrolar da prova chegou ao ponto de terem informado erroneamente a atleta Margarida Sousa de que a sua participação na prova tinha terminado. Apenas a acção do Filipe através de uma verificação na Internet permitiu que a atleta fosse avisada em tempo e tivesse completado todas as fases da sua participação.


Outros comportamentos dos elementos da Federação foram no mínimo questionáveis do ponto de vista técnico, senão reveladores de total inaptidão de lidar com atletas (pelo menos com atletas adolescentes):


- Tentativa de alterar a técnica do Filipe de um modo substancial durante o decorrer da prova (todos os técnicos consultados por nós acharam este comportamento absolutamente inadequado).


- Pressão sobre o Filipe no sentido de ser mais sociável (de facto ele é um rapaz introvertido), chegando ao ponto de, numa palestra nocturna no epicentro da competição, ter sido ameaçado de exclusão futura de participação em todas e quaisquer selecções nacionais, o que o deixou nervoso/revoltado, dado não ser fácil a um jovem de 16 anos mudar o seu modo de ser, passando do dia para a noite de introvertido a sociável.


- Comentários e acções despropositados durante a execução do tiro tais como referir em voz audível já não sei o que fazer com ele, desisto, virando costas ao atleta de seguida, enquanto este continuava a atirar. Nessa altura, embora com prestações modestas quando comparadas com os seus pares, o Filipe melhorava todas as suas melhores marcas pessoais.


Os factos atrás mencionados, na nossa opinião, demonstram cabalmente que a honrosa classificação do Filipe foi obtida com alguma sorte (eliminou logo no início da fase de eliminatórias o terceiro classificado do ranking de qualificação), muito mérito e sangue frio na eliminação de atletas com melhores marcas, mas sobretudo foi obtida apesar das atitudes e acções dos elementos da FPTA e não devido a elas.





Comentários
#1 | Joao Ramos em 15 Abril 2009 17:11:05
Lamentavelmente, os dirigentes da nossa modalidade estão mais interessados em participar na feira das vaidades do que levar os nossos melhores atletas a competições internacionais.


É inconcebível que os atletas de topo tenham que pagar para representar Portugal no estrangeiro, mas alguns dos dirigentes vão a todos os eventos a representar a modalidade as custas da federação.
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